Aproveitando o momento (e a vida…)

Outubro 22, 2007 por Dagoberto Bueno

Carpe Diem: expressão romana, criada por Horácio, inúmeras vezes envolvida na arte, idealizada no cinema por A Sociedade dos Poetas Mortos (1996), na literatura por toda a extensão do arcadismo e nas letras de inúmeras composições musicais. O tempo flui constantemente e não há alternativas senão aproveitá-lo no momento em questão. A conseqüência de não aproveitá-lo chama-se arrependimento. E antes arrependa-se do que foi feito, mas não do que deixou de ser, segundo um antigo dito.

A questão presente é o que significa aproveitar o momento. Seria, simplesmente, exercer alguma atividade que o deixe feliz, tal como um hobby? É algum ato que seja lembrado com carinho e nostalgia no futuro? A inocência de uma risada sincera? Devo deixar de estudar e ir jogar futebol com meus amigos se busco a felicidade? Avaliando desse modo, torna-se claro que a idéia de seguir a expressão literalmente faria de qualquer pessoa um inconseqüente.

Filósofos dizem que a qualidade do seu dia é resultante em 20% dos fatos ocorridos e em 80% da reação tida a esses fatos. Talvez seja essa a correta receita do aproveitamento: não deixar de fazer o que deve ser feito, não fugir das obrigações e responsabilidades, mas enfrentá-las com o bom humor necessário para torná-las agradáveis e aproveitáveis. Ou então, não há correta perscrição. Se o ser humano, tal como tudo no mundo, é uma constante mutação, cada um que busque o próprio caminho para a felicidade constantemente e é certo que não haverá arrependimento…

Um pouco de cinema #1

Agosto 15, 2007 por Dagoberto Bueno

O Ultimato Bourne

Hoje comecei os preparativos para assistir ao filme O Ultimato Bourne. Aluguei o primeiro da trilogia (que talvez possa ter nova continuidade e deixar de ser uma trilogia) e pretendo tê-lo decorado até o dia de sua devolução. Depois disso, farei o mesmo com A Supremacia Bourne. Nada como ir ao cinema com os filmes anteriores fresquíssimos na cabeça. E méritos ao talentoso Matt Damon, considerado o ator de Hollywood mais rentável. Mais que merecido, ao meu ver.

Cazuza: O Tempo Não Para

Terminei de ler a obra prima do filme, escrita pela mãe do cantor e compositor, Lucinha Araújo. Não fui tão surpreendido pelos fatos narrados, já que as intimidades do Cazuza foram propriedade da imprensa por um bom tempo. Mas é um dos poucos casos em que recomendaria a alguém assistir ao filme, não ler o livro.

A narrativa acaba se tornando um pouco cansativa, repetitiva, lembrando, em alguns momentos, Scar Tissue, biografia do Anthony Kieds, vocalista do Red Hot Chili Peppers.

E o fato principal: é a mãe dele contando a história. Após um tempo, nasce uma certa compaixão ao descobrir por cada momento que ela passou. Além de tudo, a obra acaba sendo restrita, já que as aventuras mais interessantes da louca vida do cantor provavelmente são desconhecidas até hoje da família.

E repito que, ao ler uma biografia de um músico, deve-se estar ao lado do computador, com o eMule aberto. Músicos falam de música e esse é o único modo de compreender totalmente o que é dito e se inteirar de todas as referências feitas.

Recomendação do Dia

Anti-Herói Americano. Assistam se tiverem a oportunidade. Pretendo relatar mais detalhes, mas, antes, preciso relembrar alguns momentos. E sem TV a cabo, com internet de banda limitada, isso será difícil. Adianto que é uma obra-prima, engraçada e profunda, biográfica, do criador e roteirista da história em quadrinhos do mesmo nome.

Campanha publicitária do estadão

Agosto 14, 2007 por Dagoberto Bueno

Quando li pela primeira vez sobre a nova jogada de marketing do estadão contra os blogs, tive como reação imediata rir. Sim, a campanha é muito boa! Engraçada, acima de tudo. Foi sempre algo que eu pensei em criar, não contra os blogs em geral, mas talvez, contra um único blogueiro que não me agradasse, ou, provavelmente, tenha sido só um pensamento que passou pela minha cabeça. O fato é que, à primeira vista, aplaudi os criadores.

Mas como a primeira impressão não vale nada (para o meio publicitário, sei que vale), após uma avaliação precisa, tenho que concordar que não há nenhum embasamento teórico na acusação aos blogs.

Qual o problema de um sujeito meio louco saber muito sobre comportamento? Quem é que sabe o segredo de um bom comportamento? Deixe o cara ser feliz! Acharia muito interessante ler matérias publicadas por um sujeito daquele tipo. Alguém com tamanha loucura (fora os faróis acesos) pode, sim, ter muita coisa interessante para contar.

Nas dicas para agradar mulheres, do Fredão, também não vejo problemas. A teoria dos relacionamentos é muito inferior à prática e, muitas vezes, uma visão externa, de alguém que não necessariamente necessite de sua aparência para conquistar garotas, pode facilitar e simplificar a compreensão daqueles que vêem excesso de problemas no assunto.

E o terceiro personagem da campanha não tem nenhuma característica que o impossibilite de blogar as novidades do litoral norte. Então, partindo desse ponto de vista, quer dizer que todos os jornalistas do estadinho são pessoas normais que não se destacam na sociedade? Esse é o requisito para contratarem seus funcionários? Interessante, achei que as idéias fossem o diferencial…

Listar é viver

Agosto 13, 2007 por Dagoberto Bueno

Há pouco mais de um ano descobri os benefícios de criar listas. Listar o que? Muitas coisas, como livros lidos, filmes assistidos, pessoas conhecidas. Sempre fui nostálgico e não vejo nada melhor que ter registros como esses. E os benefícios são inumeráveis.

Um simples arquivo .txt, criado no Notepad, que não lhe faz disperdiçar mais que 2 minutos, pode lhe informar quantos filmes você assistiu em cada mês, comparar a quantidade de livros lidos de um ano para outro e relembrar pessoas que apareceram na sua vida, possibilitando refletir quais foram as que permaneceram e o porquê. É criar estatísticas da própria vida!

Para aqueles parentes que sempre pedem sugestões do que alugar, abra sua lista de filmes vistos em todo o ano, elimine o que você não recomenda, imprima e torne alguém ocupado por um bom tempo. Sobre livros? Nada melhor para avaliar o próprio desenvolvimento cultural do que comparar o que se lia com o que se lê. Façam os testes, eu lhes aconselho.

Um dia, quem sabe, crio um site só para isso. O usuário cria seu perfil e pode iniciar infinitas listas. Algumas, pré-definidas, como a de filmes, composta de nome do filme, avaliação e comentários. Os dados poderiam ser acompanhados através de feeds rss pelos visitantes do seu blog ou por seus amigos… um last.fm, um pouco mais manual, chutando o pau da barraca.

Se alguém quiser utilizar da minha idéia, 10% do lucro me satisfaz. Porque eu, se resolver iniciar um grande projeto na web, este será o gerador de conteúdo pornográfico a partir do upload de fotos. Já pensou enviar imagem sua com sua amiga e ver-se protagonizando uma cena apimentada com a própria? Mais ou menos isso…

Playback é regra no show do Criança Esperança

Agosto 12, 2007 por Dagoberto Bueno

Um mega-evento, transmitido ao vivo em rede nacional, que visa arrecadar fundos a serem utilizados em benefício de crianças carentes e que, para isso, tem a colaboração de muitas celebridades e artistas. Mas, é extremamente irritante ver TODOS os músicos convidados se apresentarem com playback.

Ivete Sangalo manteve o microfone à altura da cintura, enquanto dançava e sua voz, milagrosamente, saia, muito afinada, nas caixas de som do local e na nossa TV. O Tico Santa Cruz, do Detonautas, resolveu conversar com a platéia, meio de repente, e quem estava no comando do som do seu microfone demorou um tempinho para se tocar, resultando em lábios se movendo sem escutarmos absolutamente nada. Asa de Águia, que já não é lá essas coisas (mas sim, eu gosto), conseguiu se tornar monótono, como um CD.

Me pergunto a razão disso tudo. A Globo induz os artistas a não se apresentarem ao vivo para não correr riscos de perder preciosos segundos com alguma possível empolgação? Os artistas se recusam a se sujeitarem à fadiga ou perderem a voz com um simples show beneficente enquanto podem por em risco uma turne milionária?

Só consigo ver essas duas razões. Uma mostraria indiferença da emissora. A outra, dos “ídolos” nacionais. Seja lá qual for a resposta, sei que isso me irrita de uma forma que acabo desejando um grande fracasso na arrecadação. Imaginem o Renato Aragão anunciando, no final da noite: “Já arrecadamos quase CEM mil reais, Para doar R$1,50, ligue…”. Brincadeirinha…